Pólipos do Cólon e Reto: O que você precisa saber.
O que são pólipos?
Pólipos são resultado de crescimento anormal do tecido que reveste internamente o intestino grosso (cólon) e reto. A maioria é benigna, mas alguns tipos podem, com o tempo, evoluir para câncer colorretal.
Principais tipos de pólipos
Pólipos adenomatosos (adenomas): Os mais comuns; têm potencial maligno | Baixo a alto, dependendo do tamanho, número e aspecto microscópico
Pólipos serrilhados: Mais achatados ( planos) e difíceis de ver; via alternativa de câncer Baixo a moderado, mas alguns subtipos (serrilhado séssil) têm risco relevante
Pólipos hiperplásicos: Muito pequenos e benignos | Praticamente nulo (exceto quando muitos no reto – síndrome hiperplásica) |
Pólipos inflamatórios: Comuns em doenças inflamatórias intestinais | Muito baixo (mas o intestino doente tem risco aumentado) |
Como um pólipo vira câncer? (Carcinogênese)
Existem dois caminhos principais:
1. Via adenoma-carcinoma (mais comum):
Um pólipo adenomatoso acumula mutações genéticas ao longo de **5 a 15 anos** → displasia (células alteradas) → câncer invasivo. A remoção do adenoma interrompe esse processo.
2. Via serrilhada:
Pólipos serrilhados usam um caminho genético diferente (mutação no gene BRAF e metilação do DNA). São mais planos e podem ser negligenciados durante a colonoscopia, evoluindo para câncer de crescimento rápido.
>Fatores de risco para progressão:tamanho >1 cm, presença de displasia de alto grau, componente viloso (nos adenomas), localização no cólon direito (nos serrilhados).
Tratamento endoscópico – como removemos?
A colonoscopia é o padrão ouro para diagnóstico e tratamento. A remoção (polipectomia) é feita no mesmo exame, sem cirurgia, conforme o tipo do pólipo:
– Pólipos pequenos (<5 mm): pinça de biópsia ou alça fria (sem eletrocautério) – rápida e segura.
– Pólipos médios (6–9 mm):*alça fria ou alça aquecida com corrente elétrica para cortar e cauterizar.
– Pólipos grandes (>1 cm) ou com suspeita de câncer inicial:
– Mucosectomia endoscópica (EMR): injeção de soro sob o pólipo para levantá-lo, facilitando a remoção completa em bloco ou em fragmentos.
– Dissecção endoscópica da submucosa (ESD): técnica avançada para remover pólipos muito grandes ou com cicatriz, em uma única peça (melhor análise patológica).
– Cirurgia endoscópica por via transanal (TAMIS): para lesões retais selecionadas.
E se o pólipo já tiver câncer?
Se a remoção foi completa, com margens livres e o câncer é superficial (invasão até submucosa superficial – nível Haggitt 1-4, Kikuchi sm1), a chance de cura endoscópica é alta. Critérios de risco (vasos invadidos, células pouco diferenciadas, invasão profunda) indicam necessidade de cirurgia oncológica.
Importante: prevenção com colonoscopia de rastreamento
– Pessoas com risco médio (sem história familiar ou sintomas): iniciar aos 45 anos (repetir a cada 10 anos se normal).
– Quem teve adenomas: repetir colonoscopia em 3 a 5 anos (dependendo do número e tipo).
– Pólipos serrilhados grandes ou múltiplos: vigilância mais precoce (3 anos).
Mensagem final: A maioria dos pólipos pode ser removida pela própria colonoscopia, evitando que evoluam para câncer. A chave está na detecção precoce e na qualidade do exame, com limpeza intestinal adequada e tempo de retirada cuidadoso.
Consulte sempre um gastroenterologista, coloproctologista ou endoscopista para avaliar seu caso específico.







