Quais efeitos colaterais das “canetas emagrecedoras” no trato digestório.

Os agonistas do receptor de GLP-1 (como liraglutida, semaglutida, dulaglutida e tirzepatida) apresentam efeitos colaterais gastrointestinais frequentes, como náuseas, vômitos, constipação e diarreia, além de eventos mais graves como gastroparesia, doenças biliares e obstrução intestinal. Esses efeitos são dose-dependentes e podem comprometer a adesão ao tratamento. Os sintomas mais comuns são: Eventos adversos graves Mecanismos fisiopatológicos Impacto clínico Dor abdominal Pancreatite Impacto clínico Referências (Estilo Vancouver) Em resumo, os agonistas de GLP-1 são eficazes no controle glicêmico e na perda de peso, mas exigem vigilância clínica devido ao risco de efeitos gastrointestinais, desde sintomas

Evidências da Berberina no Trato Digestivo: Revisão da Literatura. Uma nova “pílula mágica”

Evidências da Berberina no Trato Digestivo: Revisão da Literatura De tempos em tempos aparecem “pílulas mágicas “para saúde. A berberina parece trazer alguns benefícios, veja agumas evidencias abaixo:  1. Visão Geral das Evidências Uma overview de revisões sistemáticas publicada em 2025 avaliou 54 revisões sistemáticas abrangendo 70 desfechos de saúde relacionados a 9 doenças. Os resultados demonstraram que a berberina melhorou 94,74% (18/19) dos desfechos relacionados a doenças gastrointestinais**, um dos percentuais mais elevados entre todas as condições analisadas [1]. Da mesma forma, uma revisão guarda-chuva (umbrella review) publicada em 2023 concluiu que a berberina apresenta efeitos significativos em comparação com controles para diversas condições, incluindo adenomas colorretais e infecção por Helicobacter pylori[2]. 2. Síndrome do Intestino Irritável (SII) Evidência Clínica: Um estudo observacional em ambiente de prática clínica real, envolvendo 146 pacientes com diagnóstico de SII, avaliou a suplementação combinada de berberina (200 mg) e curcumina (49 mg) duas vezes ao dia durante 2 meses. Os resultados mostraram [3][4]: – Redução de 47,5% no Índice de Gravidade da SII (IBSSI) – Melhora de 47,2% no desconforto abdominal – Redução de 48,0% na distensão abdominal – Melhora de 46,8% no trânsito intestinal – Redução de 64,0% na necessidade de antiespasmódicos – Redução de 64,6% na necessidade de antidiarreicos – Normalização da frequência evacuatória semanal (p < 0,0001) A taxa de satisfação com o tratamento foi de 82,6%, e 93,1% dos pacientes experimentaram melhora ou resolução dos sintomas. Efeitos adversos menores foram relatados por apenas 7,1%*dos pacientes, predominantemente gastrointestinais [3]. Referência: > Wade U, Pascual-Figal DA, Rabbani F, et al. The Possible Synergistic Pharmacological Effect of an Oral Berberine (BBR) and Curcumin (CUR) Complementary Therapy Alleviates Symptoms of Irritable Bowel Syndrome (IBS): Results from a Real-Life, Routine Clinical Practice Settings-Based Study. Nutrients. 2024;16(8):1204. DOI: 10.3390/nu16081204. PMID: 38674895.  3. Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado (SIBO) Evidência Clínica: O estudo clínico randomizado BRIEF-SIBO, conduzido no Peking University Third Hospital (Pequim, China), comparou a eficácia da berberina (400 mg duas vezes ao dia) com rifaximina (400 mg duas vezes ao dia) por 2 semanas em 186 pacientes com SIBO. Os resultados demonstraram [5][6]: | Desfecho                                                               | Berberina | Rifaximina | Significância | | Negativação do teste respiratório (semana 2) | 45% | 51% | p = 0,008 (não inferior) | | Negativação do teste respiratório (semana 6) | 53% | 44% | p < 0,001 (superior) | A berberina demonstrou ser não inferior à rifaximina para o tratamento do SIBO, com melhora significativa da distensão abdominal na semana 6. O estudo conclui que a berberina representa uma nova opção promissora e de baixo custo para o tratamento do SIBO [5]. Referências: > IDDF2025-ABS-0189 New choice for small intestinal bacterial overgrowth: an RCT comparing berberine and rifaximin. Gut. 2025;74(Suppl 3):A328. > Study protocol: BRIEF-SIBO randomized controlled trial. Frontiers in Pharmacology. 2023. 4. Infecção por Helicobacter pylori Evidência Clínica: Uma meta-análise de 13 ensaios clínicos randomizados, publicada na *Frontiers in Pharmacology*, avaliou a adição da berberina à terapia tripla padrão para erradicação do H. pylori. Os resultados mostraram [7]: | Desfecho                                                           | Efeito da adição de berberina | IC 95% | | Taxa de erradicação do *H. pylori*         | RR 1,22 (aumento de 22%) | 1,16 – 1,27 | | Taxa de cicatrização de úlcera péptica | RR 1,15 | 1,10 – 1,19 | | Alívio dos sintomas clínicos                       | RR 1,11 | 1,06 – 1,17 | | Incidência de eventos adversos                | RR 0,65 (redução de 35%) | 0,53 – 0,80 | A análise concluiu que a adição da berberina à terapia tripla padrão melhora significativamente a taxa de erradicação, acelera a cicatrização de úlceras e reduz os eventos adversos[7]. Referência: > Hu Q, Peng Z, Li L, et al. The efficacy of berberine-containing quadruple therapy on helicobacter pylori eradication in China: A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. Front Pharmacol. 2020;10:1694. DOI: 10.3389/fphar.2019.01694. 5. Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) e Mecanismos Anti-inflamatórios Evidência Mecanicista: Uma revisão publicada no *International Journal of Molecular Sciences* (2025) sintetizou as evidências sobre os efeitos anti-inflamatórios da berberina no intestino, destacando [8]: – Modulação da microbiota intestinal: promove o crescimento de bactérias benéficas (*Bacteroides*, *Bifidobacterium*, *Lactobacillus*) e reduz bactérias patogênicas (*Escherichia coli*) – Regulação da polarização macrofágica: inibe a polarização M1 (pró-inflamatória) via via AKT1/SOCS1/NF-κB – Proteção da barreira intestinal: reduz a permeabilidade intestinal e fortalece as junções firmes (*tight junctions*) – Efeitos na colite: estudos pré-clínicos demonstram alívio da inflamação em modelos de colite crônica A revisão conclui que a berberina representa um promissor agente adjuvante para doenças inflamatórias intestinais [8][9]. Referências: > Duda-Madej A, et al. Berberine in Bowel Health: Anti-Inflammatory and Gut Microbiota Modulatory Effects. Int J Mol Sci. 2025;26(24):12021. DOI: 10.3390/ijms262412021. PMID: 41465447. > Quintero Vargas JTDJ, et al. Perspectives on Berberine and the Regulation of Gut Microbiota: As an Anti-Inflammatory Agent. Pharmaceuticals (Basel). 2025;18(2):193. DOI: 10.3390/ph18020193. PMID: 40006007.  6. Adenomas Colorretais Evidência Clínica: A umbrella review de Li e colaboradores (2023) identificou que a berberina apresenta efeitos significativos na redução da ocorrência de adenomas colorretais em comparação com controles, com base em meta-análises de ensaios clínicos randomizados [2]. Referência: > Li Z, Wang Y, Xu Q, et al. Berberine and health outcomes: An umbrella review. Phytother Res. 2023;37(5):2051-2066. DOI: 10.1002/ptr.7806. 7. Perfil de Segurança Os eventos adversos mais comumente relatados com o uso da berberina são sintomas gastrointestinais leves, incluindo constipação e diarreia [2]. No estudo com pacientes com SII, apenas 7,1% relataram efeitos adversos menores, predominantemente gastrointestinais [3]. Resumo das Recomendações Baseadas em Evidências | Condição Digestiva | Nível de Evidência | Efeito Observado | | Síndrome do Intestino Irritável | Estudo clínico observacional (n=146) | Melhora significativa dos sintomas, redução do uso de medicamentos de resgate | | SIBO | Ensaio clínico randomizado (n=186) | Não inferior à rifaximina; melhor controle da distensão abdominal | | H. pylori | Meta-análise (13 EC, n=1.292) | Aumento de 22% na taxa de erradicação; redução de 35% nos eventos adversos | | Doenças inflamatórias intestinais | Revisões sistemáticas e estudos pré-clínicos | Modulação

Café e sua relação com nosso sistema digestório.

De tempos em tempos, mas com uma frequencia significativa, aparecem artigos e discussões sobre os efeitos do café sobre nossa saúde. Os dados que encontraremos aqui são baseados no artigo publicado pela Dra Nancy A. Melville em 10 de março deste ano de 2026. A relação do café com as doenças gastrointestinais parece ser moderadamente adversa para alguns desfechos e potencialmente protetora para outros, com uma heterogeneidade substancial entre diferentes populações e dietas. Clinicamente, recomenda-se, como cada vez mais vemos em medicina, uma abordagem personalizada para a orientação sobre o consumo de café, em vez de uma restrição ou uso indiscriminado. Café e Refluxo / Doenças do Trato Digestivo Alto Uma metanálise de 39 estudos (121.625 pacientes) mostrou que os consumidores de café apresentavam uma prevalência ligeiramente maior de DRGE ( Doença do Refluxo gastro-esofágico): 34,9% versus 30,7% em não consumidores (RC 1,18). Grandes estudos epidemiológicos anteriores da Noruega e do Japão não encontraram uma associação significativa entre café e DRGE, mesmo com múltiplas xícaras diárias. Não foi observada uma ligação significativa entre a ingestão de café e o esôfago de Barrett ( metaplasia intestinal do esôfago distal: alteração pré-cancerosa). Chan enfatiza que o café provavelmente aumenta o refluxo apenas em subgrupos específicos de risco e que a interrupção rotineira para todos os pacientes com refluxo não é suportada pelas evidências; a restrição deve ser direcionada a gatilhos claros de sintomas, alinhando-se com a prática das diretrizes em gastroenterologia. Café como Potencialmente Protetor em Doenças Gastrointestinais Em uma análise do UK Biobank (147.263 participantes sem doença gastrointestinal basal; seguimento médio de 12,6 anos), o café mostrou uma associação em forma de U: 2-4 xícaras/dia foram associadas a uma menor incidência de várias doenças gastrointestinais (RC 0,84 versus <2 ou >4 xícaras/dia). As associações protetoras — principalmente para o café não adoçado — incluíram doença do refluxo gastroesofágico, gastrite/duodenite, doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, doença biliar, diverticulose e cirrose, particularmente em indivíduos geneticamente suscetíveis. Nenhum benefício foi observado para SII ou DII, e não houve associação com cânceres gastrointestinais em geral. Café, Padrão Alimentar e Câncer Gastrointestinal Em dados do NHANES (29.422 adultos), o consumo de café, sem considerar a dieta, correlacionou-se com uma maior prevalência geral de câncer gastrointestinal (baixa ingestão RC 1,26; alta ingestão RC 1,20 versus não consumidores). Após estratificar por padrão alimentar, o café foi associado a um risco reduzido de câncer gastrointestinal em dietas “ocidentais” e “equilibradas”, mas a um risco aumentado em um “padrão vegetariano” dominado por frutas e iogurte (RC 1,707). Uma subanálise mostrou que o café reduziu o risco de câncer gastrointestinal entre aqueles com alta ingestão de vegetais, sugerindo que as interações entre pectina de frutas e polifenóis podem atenuar a atividade antineoplásica do café. Clinicamente, o artigo defende a integração de fatores específicos do paciente — padrões de sintomas, genética, uso de adoçantes e dieta — ao aconselhar sobre o café, em vez de aplicar restrições padronizadas. Referências: Para alguns fenótipos, a orientação sobre o café deve ser individualizada, sendo que a ingestão moderada, preferencialmente sem açúcar, é frequentemente aceitável ou até desejável. Abaixo estão pontos práticos, prontos para uso clínico. Fenótipo com Predomínio de DRGE / Refluxo – Magnitude do risco: Consumidores de café apresentam apenas uma prevalência modestamente maior de DRGE em comparação com não consumidores (34,9% vs 30,7%; RC ~1,18). – Não é universal: Estudos de coorte anteriores não mostraram uma ligação clara entre café e DRGE; o café provavelmente aumenta o refluxo apenas em um subgrupo suscetível. – Orientação:     – Não imponha a interrupção total e indiscriminada. Pergunte explicitamente se o café desencadeia sintomas de forma confiável e se a redução ajuda.     – Em pacientes com sintomas desencadeados, tente: volumes menores, evitar café no final da noite, considerar versões de menor acidez/descafeinado; suspender se ainda houver sintomas.     – Assegure aos outros pacientes que a evitação rotineira não é necessária se a DRGE estiver controlada. Fenótipo de MASLD / “Fígado Gorduroso Metabólico” – Posição das diretrizes: A diretriz de MASLD lista explicitamente o aumento do consumo de café como uma medida de estilo de vida para adultos com MASLD. – Desfechos hepáticos: >3 xícaras/dia estão associadas a menor rigidez hepática (fibrose menos avançada), independentemente da qualidade da dieta. – Benefício gastrointestinal mais amplo: No UK Biobank, 2–4 xícaras/dia (principalmente sem açúcar) foram associadas a menor incidência de MASLD, cirrose e doença biliar, em comparação com ingestões menores ou maiores. – Orientação:     – Se não houver contraindicação, incentive cerca de 2–4 xícaras/dia, preferencialmente sem açúcar; evite formulações adoçadas.     – Enfatize o café como adjuvante, e não como substituto, da perda de peso e do tratamento padrão para MASLD. Fenótipo de Doença Biliar – Desfechos biliares/GI não malignos: Café moderado sem açúcar (2–4 xícaras/dia) associado a menor risco de doenças biliares e cirrose. – Nuance do câncer: Uma análise agrupada sugeriu maior incidência de câncer de vesícula biliar com o aumento do consumo de café quando a dieta não foi considerada, embora o confundimento seja provável e os dados sejam inconsistentes. – Orientação:     – Para doença biliar não maligna, o consumo moderado de café, preferencialmente sem açúcar, é razoável e pode ser benéfico.     – Em pacientes com câncer de vesícula biliar prévio ou ansiedade muito elevada em relação ao câncer, individualize; enfatize que os dados atuais não mostram uma relação causal clara. Referências: 1. Coffee and GI Disorders: It’s Complicated. – https://www.medscape.com/viewarticle/coffee-and-gi-disorders-its-complicated-2026a100079i 2. Management of Metabolic Dysfunction-associated Steatotic Liver Disease. – https://reference.medscape.com/cc2/p10/2024-easl-easd-easo-masld-2024a1000eaf 3. Coffee Consumption Is Associated With Lower Liver Stiffness: A Nationally Representative Study. – https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34626832/ 4. Association of tea and coffee consumption and biliary tract cancer risk: The Biliary Tract Cancers Pooling Project. – https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38758104/

Whey Protein e Creatina. Todos podem utilizar? Quem são as pessoas que devem tomar cuidado com o uso? Para quem podem ser um risco à saúde?  

O whey protein e a creatina estão entre os suplementos nutricionais mais estudados e amplamente utilizados no mundo, com o objetivo de melhorar o desempenho esportivo, promover ganho de massa muscular e auxiliar na recuperação pós-exercício. A despeito de sua popularidade, persistem questionamentos sobre seus potenciais efeitos adversos, frequentemente alimentados por informações não baseadas em evidências. Este texto tem por objetivo apresentar uma análise criteriosa dos perfis de segurança desses suplementos, fundamentada exclusivamente em artigos científicos indexados, identificando as populações que se beneficiam de seu uso e aquelas que apresentam maior risco de complicações. 1. Whey Protein: Eficácia e Perfil de Segurança 1.1 Evidências de Eficácia e Segurança Geral Uma metanálise em rede publicada avaliou a eficácia e segurança da suplementação de whey protein em atletas, incluindo ensaios clínicos randomizados. Os resultados demonstraram que o whey protein foi eficaz na melhora da potência média e na redução da massa corporal, quando comparado a outros suplementos e placebo. Em relação à segurança, o estudo concluiu que as evidências clínicas suportam a utilização do whey protein como auxílio ergogênico seguro para o desempenho e recuperação de atletas. É importante ressaltar que a qualidade da evidência foi considerada válida e confiável, com utilização de ferramentas padronizadas para avaliação do risco de viés. 1.2 Populações com Risco de Efeitos Colaterais A despeito da segurança em indivíduos saudáveis, existem grupos populacionais que podem apresentar efeitos adversos significativos com o consumo de whey protein, principalmente em decorrência do metabolismo proteico. 1.2.1 Indivíduos com Doença Renal Crônica Pacientes com função renal comprometida constituem o grupo de maior risco. O metabolismo das proteínas gera compostos nitrogenados que necessitam ser filtrados e excretados pelos rins. Em indivíduos com insuficiência renal, a suplementação proteica pode sobrecarregar a função renal remanescente, potencializando a progressão da doença. A contraindicação baseia-se no princípio fisiológico de que a carga aumentada de solutos exige capacidade de filtração glomerular preservada, princípio este corroborado por estudos em nefrologia. 1.2.2 Pacientes com Hepatopatias Graves Indivíduos com cirrose hepática e encefalopatia hepática apresentam risco aumentado de complicações. O fígado comprometido perde a capacidade de converter a amônia (proveniente do metabolismo proteico) em ureia para excreção renal. A suplementação com whey protein pode elevar os níveis de amônia circulante, precipitando ou agravando quadros de encefalopatia hepática, conforme documentado na literatura hepatológica. 1.2.3 Indivíduos com Gota ou Hiperuricemia O whey protein, por ser derivado do leite, contém purinas em sua composição. Embora em menor quantidade que fontes proteicas de origem animal, o consumo excessivo pode elevar os níveis séricos de ácido úrico, teoricamente predispondo a crises gotosas em indivíduos suscetíveis. 1.2.4 Alergia à Proteína do Leite Indivíduos com alergia confirmada às proteínas do leite (não confundir com intolerância à lactose) devem evitar rigorosamente o consumo de whey protein, podendo apresentar reações que variam de manifestações cutâneas (urticária, dermatite) a quadros de anafilaxia. 2. Creatina: Perfil de Segurança Baseado em Evidências Contemporâneas 2.1 A Maior Metanálise Sobre Segurança da Creatina Um estudo recente representa a análise mais abrangente até o momento sobre a segurança da suplementação de creatina. Os pesquisadores avaliaram dados de centenas de ensaios clínicos em humanos, envolvendo milhares de participantes que consumiram creatina, comparados a participantes que ingeriram placebo, em estudos com duração prolongada. Adicionalmente, analisaram relatos de eventos adversos em bancos de dados mundiais. Os principais resultados foram: A conclusão dos autores é categórica: afirmações de que a suplementação de creatina aumenta o risco de efeitos colaterais não têm fundamento. 2.2 Revisão Sobre Preocupações Específicas de Segurança Uma revisão publicada abordou especificamente as preocupações mais comuns relacionadas à ingestão de creatina. 2.2.1 Risco de Câncer Preocupações teóricas sobre a possível formação de compostos carcinogênicos a partir da creatina não são sustentadas pelas evidências disponíveis em humanos. A revisão conclui que a pesquisa atual não suporta uma ligação entre suplementação de creatina e câncer. 2.2.2 Função Renal Estudos em indivíduos saudáveis demonstram consistentemente ausência de efeitos adversos sobre a função renal. A ressalva permanece para portadores de doença renal pré-existente, população na qual os dados são limitados, recomendando-se cautela. 2.2.3 Desidratação e Cãibras Musculares Afirmações de que a creatina provoca desidratação ou cãibras durante o exercício não são apoiadas por estudos controlados. Evidências sugerem que a creatina pode, inclusive, reduzir a incidência de cãibras e auxiliar na manutenção do equilíbrio termorregulatório. 2.2.4 Tolerabilidade Gastrointestinal Sintomas gastrointestinais são relatados por alguns usuários, particularmente com doses elevadas, manifestando-se como distensão abdominal, desconforto estomacal e sensação de “inchaço”. Tais efeitos são dose-dependentes e não universais. 2.3 Efeito da Dose de Carregamento Um ensaio clínico randomizado investigou especificamente os sintomas gastrointestinais e de retenção hídrica associados à creatina. Os resultados demonstraram que parcela significativa dos participantes relatou algum sintoma gastrointestinal indesejado (distensão, retenção hídrica, desconforto estomacal). Embora o grupo que realizou dose de carregamento tenha apresentado tendência a maior frequência e severidade dos sintomas, as diferenças não atingiram significância estatística. Importante: nenhum evento adverso grave foi registrado, e as análises laboratoriais não revelaram alterações clinicamente significativas. 2.4 Interações Medicamentosas e com Outros Suplementos A combinação de creatina com outros suplementos merece considerações específicas: 3. Orientações Práticas: Quem se Beneficia e Quem Deve Evitar 3.1 Indicações Baseadas em Evidências Suplemento Populações que se Beneficiam Mecanismo Principal Whey Protein Atletas e praticantes de atividade física com necessidade aumentada de proteínas; idosos com sarcopenia; indivíduos em recuperação de cirurgias ou doenças consumptivas (sob orientação médica); vegetarianos/veganos com dificuldade de atingir necessidades proteicas Fornecimento de aminoácidos essenciais, com destaque para leucina, estimulando a síntese proteica muscular Creatina Atletas de modalidades de alta intensidade e curta duração (musculação, sprints, esportes intermitentes); idosos para preservação de massa e função muscular; populações clínicas selecionadas (sarcopenia, distrofias musculares, doenças neurodegenerativas – em contexto de pesquisa) Regeneração de ATP, aumento da disponibilidade energética para contrações musculares de alta intensidade 3.2 Contraindicações e Precauções Whey Protein: Contraindicações Absolutas e Relativas Creatina: Contraindicações e Precauções 3.3 Recomendações de Uso Seguro Para Whey Protein: Para Creatina: 4. Conclusão As evidências científicas atuais, provenientes de metanálises robustas e revisões sistemáticas publicadas em periódicos indexados, demonstram

Março Azul! Qual a real importância?

O câncer de cólon e reto continua sendo a segunda causa de morte por câncer no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de mama nas mulheres e do câncer de próstata nos homens. Por isso, o mês de março é dedicado à conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento dessa doença. A Importância do Rastreamento Em 2021, o United States Preventive Services Task Force reduziu a idade recomendada para início do rastreamento de câncer colorretal em pessoas de risco médio de 50 para 45 anos, devido ao aumento da incidência em adultos jovens. A colonoscopia, especialmente quando realizada com polipectomia de alta qualidade, pode reduzir a mortalidade por câncer colorretal em até 60% a 70% em estudos de longo prazo. Estudos mostram que a taxa de detecção de adenomas (ADR) está diretamente relacionada à redução do risco de câncer colorretal e da mortalidade. Cada aumento de 1% na ADR corresponde a uma redução de cerca de 3% no risco de câncer — um impacto real e mensurável. Isto significa que é muito importante escolher o local onde será realizado o exame para garantir uma qualidade que se reflita em detecção e terapêutica adequada. Fatores de Risco Prevenção Conclusão O Março Azul é um convite à reflexão e à ação, no tocante ao câncer colorretal. Este pode ser prevenido e diagnosticado precocemente, aumentando significativamente as chances de cura. A combinação de rastreamento adequado, hábitos saudáveis e acompanhamento médico é a chave para reduzir a incidência e a mortalidade dessa doença.